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O que é controle biológico de pragas – alguns exemplos

Quem aprecia a produção de vegetais em uma horta doméstica incomoda-se ao ver formigas cortando as folhas do pimentão e da beterraba ou afídeos atacando a couve e o tomateiro. Muitas vezes,a solução mais rápida é a utilização de agrotóxicos, mas e você puder fazer o uso do controle biológico de pragas? É mais simples do que a maioria das pessoas pensa sem falar nos benefícios para o meio ambiente e para a saúde.

Os afídeos (pequenos insetos também conhecidos como pulgões) representam prejuízo para as plantas: além de sugarem a seiva, secretam um líquido açucarado, o qual facilita o desenvolvimento de um fungo que chega a recobrir as folhas com uma camada escura que dificulta a fotossíntese, além de serem transmissores de microrganismos que atacam as plantas, como o vírus causador do “amarelo do tomateiro”. Algumas espécies de afídeos (como Brevicoryne brassicae) têm tal especificidade na ocupação de um nicho ecológico que só atacam plantas da família das brassicáceas (couve, repolho e mostarda, por exemplo).

Nem sempre se obtém êxito no combate aos afídeos, porque os produtos químicos disponíveis não são muito eficientes, selecionam afídeos resistentes e, o que é pior, matam os inimigos naturais. No entanto, algumas estratégias de combate mostram-se melhores do que o uso de inseticidas. Uma vez localizada a colônia, as folhas atacadas, ou mesmo as plantas inteiras, precisam ser removidas; também se deve tomar o cuidado de retirar da horta plantas invasoras que hospedam afídeos; finalmente, pode ser estimulado o crescimento de populações da classe insecta que se alimentam de afídeos. As joaninhas, por exemplo, são vorazes devoradoras de afídeos! Veja a imagem abaixo.

O que é controle biológico de pragas - alguns exemplos

Outra interessante estratégia, utilizada em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, com a participação de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), envolve o cultivo, junto à horta, de plantas que possuem flores com néctar abundante e pétalas brancas ou amarelas. Além de abelhas de diversas espécies, essas flores atraem outros insetos, como os sirfídeos, pequenas moscas que buscam o néctar e atuam como polinizadores. Embora as moscas adultas alimentem-se de néctar, as larvas dos sirfídeos comem afídeos; portanto, plantar canteiros de margaridas nas proximidades da horta costuma ter bom resultado: com as flores (e as pequenas moscas) nas proximidades, os afídeos serão atacados e as hortaliças se desenvolverão como o esperado.

Na horta, portanto, identificam-se numerosas interações entre seres vivos:

  •    seres humanos alimentam-se de beterraba, pimentão, couve e tomate;
  •    seres humanos competem com formigas e afídeos por alimentos;
  •    formigas cortam folhas da beterraba e do pimentão;
  •    afídeos sugam a seiva da couve e do tomateiro;
  •    a presença de afídeos facilita o desenvolvimento de certos fungos;
  •    fungos dificultam a fotossíntese das plantas;
  •    afídeos transmitem vírus;
  •    vírus causam doenças ao tomateiro;
  •    formigas e abelhas organizam-se em grandes grupamentos, com divisão de tarefas (formigueiros e colmeias, respectivamente).

Analisando essas associações, é possível identificar alguma que envolva organismos de apenas uma espécie? E organismos de espécies diferentes? As associações trazem prejuízo ou benefício para os participantes?

Algumas interações envolvem organismos de uma só espécie (como o formigueiro), enquanto outras envolvem organismos de espécies diferentes (formiga e beterraba, ou joaninhas e afídeos). Nota-se, ainda, que algumas interações trazem benefício para pelo menos um dos envolvidos (sirfídeos obtêm néctar nas flores que polinizam, com vantagens para ambos); outras interações representam evidente prejuízo para pelo menos um dos participantes (os afídeos são devorados pelas joaninhas).

O desenvolvimento de estratégias de controle biológico de pragas passa pelo conhecimento das interações ecológicas entre os organismos que ocupam os ecossistemas. Aos poucos, estamos aprendendo a utilizar essas interações para controlar populações de plantas e insetos invasores, o que pode ser conseguido pela introdução de predadores, parasitas ou competidores da espécie que se pretende combater.

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