O que é taxonomia – Classificação taxonômica

Uma das perguntas mais comuns que um estudante de biologia tem saber é: o que é taxonomia? Essa é a ciência que busca descrever, identificar e classificar os seres vivos. As história evolutiva, as relações de parentesco entre os seres vivos são observados durante a classificação taxonômica. A classificação permite organizar os conhecimentos.

Classificar para organizar

É uma tarefa comum separar objetos em grupos. Em uma livraria, por exemplo, os livros estão organizados por temas, o que facilita a localização e a escolha do livro. Separar objetos ou seres vivos em grupos é uma forma de classificação. Para que possamos classificar, é necessário estabelecer critérios, ou seja, analisar semelhanças e diferenças presentes entre os objetos que se deseja separar.

É provável que um mesmo objeto tenha sido colocado em agrupamentos distintos. Se isso aconteceu, não se pode dizer que um agrupamento está certo e o outro errado: só podemos dizer que cada um adotou um critério diferente e que, por isso, foram estabelecidas diferentes classificações para um mesmo grupo de objetos.

O uso de critérios para se fazer classificações é aplicado tanto para os objetos de nosso dia a dia como para os seres vivos.

Uma parte importante do estudo da Biologia consiste em perceber e entender diferenças e semelhanças entre os seres vivos, para, então, classificá-los. Por exemplo, as aves podem ser classificadas usando uma característica presente em todas elas: as penas; pode-se classificar um macaco e um tamanduá como mamíferos graças à presença de pelos. Pelo critério “presença de pelos”, não podemos classificar jacarés como um mamífero, pois ele tem escamas.

Classificação Taxonômica: agrupando os seres vivos

O ser humano sempre se preocupou em classificar os seres vivos. O filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) foi um dos primeiros a classificar os seres vivos e contribuiu significativamente com os fundamentos da Zoologia. Aristóteles observava, por exemplo, como os organismos se reproduziam e o ambiente onde eram encontrados. Em um de seus trabalhos, Aristóteles separou os animais em duas categorias, usando como critério a presença ou não de sangue no organismo. Algumas das classificações propostas por Aristóteles se mantiveram por 2 000 anos!

Somente a partir do século XVIII os seres vivos foram agrupados de acordo com novos critérios, resultado das descobertas científicas que ocorreram ao longo desse período.

No século XIX, por exemplo, o evolucionismo, fundamentado na teoria darwinista da evolução, se tornou uma hipótese cientificamente aceita para explicar a origem de espécies de seres vivos e de suas adaptações. Desse modo, a classificação aceita até então foi revista com bases evolutivas.

Fica evidente que nenhuma classificação (e mesmo nenhum conceito científico) pode ser considerada definitiva, porque ela pode mudar de acordo com novos conhecimentos adquiridos por diferentes pessoas ao longo do tempo. É dessa forma que a ciência se constrói e se aperfeiçoa.

O sistema natura de Lineu

Em 1735, o cientista sueco Carl von Linné, ou Lineu, (1707-1778) propôs um sistema de classificação que ficou conhecido por sistema natural.

Lineu era bastante religioso e sua proposta buscava reproduzir o que ele acreditava ser a ordem divina da criação dos seres vivos.

Lineu classificou uma enorme variedade de seres vivos e, por isso, é considerado por muitos o “pai” da taxonomia moderna.

Lineu acreditava que os seres vivos haviam sido criados por Deus e, portanto, que as espécies não mudavam ao longo do tempo. A partir da teoria de Darwin sobre a seleção natural, como veremos no próximo capítulo, um novo critério para classificação teve de ser adotado, para que fossem consideradas as relações de parentesco evolutivo das espécies. Esse critério deveria, portanto, considerar que as espécies se transformam ao longo do tempo.

Essa mudança implicou em novas interpretações da taxonomia e da nomenclatura propostas por Lineu, muito embora as bases propostas por ele ainda sejam usadas.

As categorias de classificação – Grupos taxonômicos

As categorias de classificação dos seres vivos (grupos taxonômicos) propostas por Lineu, e usadas até hoje, são: espécie, gênero, família, ordem, classe, filo e reino (da menos abrangente para a mais abrangente).

Espécie é um grupo de organismos semelhantes que, em condições naturais, são capazes de acasalar e produzir descendentes férteis.

Quando diferentes espécies apresentam muitas semelhanças entre si, elas são reunidas em um grupo mais abrangente, formando uma nova categoria, chamada gênero.

São conhecidas, atualmente, por volta de um milhão e setecentas mil espécies de seres vivos. Para nomeá-las, utiliza-se o sistema de nomenclatura criado por Lineu. no qual cada espécie apresenta um nome científico.

De acordo com esse sistema de nomenclatura, que obedece a certas regras, os nomes científicos são formados por duas palavras, em latim. Por esse motivo também é conhecido por sistema binomial.

Veja o exemplo abaixo.

O que é taxonomia - Classificação taxonômica

Duas palavras indicam o nome científico da espécie. A primeira palavra indica o gênero a que

o organismo pertence e deve começar com letra maiúscula. A segunda palavra deve começar com letra minúscula e sempre vir acompanhada da primeira. Os nomes científicos devem aparecer destacados do resto do texto, podendo ser escritos em itálico, em negrito ou grifados.

Quando se conhece apenas o gênero, costuma–se colocar “sp.’ que significa uma “espécie do gênero”, e deve vir sem nenhum destaque (itálico, negrito ou grifo). Por exemplo, leão e tigre podem ser chamados de Panthera sp.

Os nomes populares são aqueles usados em conversas ou textos informais, sem caráter científico. Como os nomes populares podem variar de uma região para outra, os nomes científicos são mais indicados para se fazer classificações, pois são universais, ou seja, são iguais em qualquer região do planeta. Por exemplo: macaxeira, aipim e mandioca-mansa são diferentes nomes populares usados no Brasil para se referir à planta Manihot esculenta.

Para entender melhor o sistema natural de Lineu, veja um exemplo com três espécies brasileiras, cujos nomes populares são: raposa-do-campo, graxaim–do-campo e cachorro-do-mato.

nomes científicos
Note que o cachorro-do-mato pertence ao gênero Cerdocyon, que é diferente do gênero da raposa-do-campo e do graxaim-do-campo: Pseudalopex. Isso indica que, apesar de as três espécies serem parecidas, elas também apresentam muitas características diferentes, de tal forma que não são agrupadas no mesmo gênero. Com essas informações, podemos concluir que, de acordo com essa classificação, a raposa-do-campo e o graxaim-do-campo apresentam mais características em comum entre si do que com o cachorro-do-mato.

De acordo com o sistema natural de classificação de Lineu, um conjunto de diferentes gêneros com organismos que apresentam características em comum são agrupados em outra categoria, mais abrangente, chamada família.

Os gêneros a que pertencem a raposa-do-campo, o graxaim-do-campo e o cachorro-do-mato são semelhantes o suficiente para serem agrupados em uma mesma família, chamada Canidae (do latim canis = cão; e o sufixo idae = relativo à família).

Para Lineu, além das três categorias de classificação já mencionadas – espécie, gênero e família existem outras mais abrangentes: ordem, classe, filo reino.

ordem compreende as diferentes famílias que apresentam seres vivos com algumas características em comum. Um panda e uma raposa, por exemplo, pertencem a famílias diferentes, porém se agrupam na mesma ordem: Carnivora (do latim carne = carne; vorare = devorar). Outra ordem de animais é a dos primatas, que inclui, além dos seres humanos, os gorilas, os chimpanzés, os orangotangos e todos os macacos conhecidos, entre outros animais.

classe reúne as diferentes ordens que apresentam seres vivos com algumas características em comum. Os animais da ordem Carnívora e os animais da ordem dos Primatas pertencem à classe Mammalia (ou mamíferos). Essa classe reúne todos os animais que apresentam, entre outras características, glândulas mamárias (mamas) e pelos distribuídos pela superfície do corpo.

filo compreende as diferentes classes que apresentam seres vivos com características em comum. Os mamíferos, por exemplo, pertencem ao filo Chordata (Cordados). O reino é a categoria mais abrangente e compreende os diferentes filos que apresentam seres vivos com características em comum. No caso do filo dos Cordados, todos pertencem ao reino Metazoa ou Animal.

Além das categorias propostas por Lineu, utiliza-se hoje uma mais abrangente, que pode agrupar reinos de seres vivos, chamada DomínioNo caso do reino Metazoa, do reino Proctista, do reino Plantae e do reino Fungi, todos pertencem ao domínio Eukarya.

O esquema a seguir mostra a posição da raposa-do-campo nos diferentes grupos taxonômicos, junto a outros exemplos de espécies de seres vivos.

Classificação taxonômica

Existem outros domínios de seres vivos além do Eukarya. São eles: Eubactéria e Archaea. Neles as classificações seguem o mesmo esquema apresentado aqui para o domínio Eukarya, com apenas algumas variações.

A ideia de o nome científico de cada espécie seguir a nomenclatura binomial, proposta por Lineu, é ainda hoje bem aceita entre os cientistas e aplicada a todos os seres vivos, muito embora a proposta de um “sistema natural” como eie propôs ser alvo de críticas.

Resumo da aula O que é taxonomia – Classificação taxonômica

  • Que as classificações dos seres vivos podem mudar de acordo com os critérios estabelecidos pela comunidade científica.
  • As bases do sistema natural proposto por Lineu no século XVIII e que são usadas até hoje.
  • 0 conceito biológico de espécie e as regras para a criação do nome científico que a define.

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