MÍDIAS E PRODUÇÃO AUDIOVISUAL: ARTE E TECNOLOGIA NO ENSINO DE CIÊNCIAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

 

ALEXSANDRO DANIEL PEREIRA

 

MÍDIAS E PRODUÇÃO AUDIOVISUAL:

 ARTE E TECNOLOGIA NO ENSINO DE CIÊNCIAS

 

Natal, RN

2014

 

ALEXSANDRO DANIEL PEREIRA

 

MÍDIAS E PRODUÇÃO AUDIOVISUAL:

ARTE E TECNOLOGIA NO ENSINO DE CIÊNCIAS

 

 

Projeto de Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN, na Linha de Pesquisa Educação Matemática e Ensino de Ciências, como requisito para o processo seletivo – 2014.

 

 

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Natal, 2014

SUMÁRIO

 

1. INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………………………..4

2. OBJETIVOS …………………………………………………………………………………………. 5

2.1 OBJETIVO GERAL……………………………………………………………………………… 5

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS …………………………………………………………………. 5

3. JUSTIFICATIVA …………………………………………………………………………………. 6

4. REFERENCIAL TEÓRICO …………………………………………………………………..7

5. METODOLOGIA ………………………………………………………………………………… 9

5.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA………………………………………………………………. 9

5.2 EXPOSIÇÃO, APRECIAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO   ……………………. 9

5.3 PRODUÇÃO AUDIOVISUAL………………………………………………………………. 9

5.4 MOSTRA DA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL………………………………………… 10

5.5 AVALIAÇÃO……………………………………………………………………………………… 10

6. CRONOGRAMA ………………………………………………………………………………… 11

REFERÊNCIAS ……………………………………………………………………………………… 12

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

Uma das funções do Ensino de Ciências é contribuir para a formação tecnológica e cidadã dos alunos. Entretanto, nas escolas, de modo geral, a realidade escolar está distante do cotidiano social no qual os alunos estão inseridos. Em muitos casos as aulas cumprem apenas o papel de transmitir conteúdos e realizar atividades contidas nos livros didáticos, sem levar em consideração os anseios e conhecimento prévio dos alunos. Como defende Candau (2000), romper essa desarticulação que existe nas escolas e resgatar o aluno como sujeito no processo educativo é uma inquietude fundamental para a educação. Neste sentido, desenvolver novas metodologias e planejar atividades que unifiquem a Ciência, a Arte e a Tecnologia poderiam auxiliar na aproximação escola-aluno, contribuindo para uma aprendizagem mais criativa, alegre e prazerosa. Isto poderia ser realizado, por exemplo,  com a produção de vídeos.

A produção de material audiovisual como documentários, programas de TV para apresentação na web, músicas, imagens, jornais e rádios escolares, podcasts[1], produção de artigos para o universo da blogosfera, utilização de redes sociais para divulgação de trabalhos e a utilização Recursos Educacionais Abertos (REAs[2]), podem ser auxiliar no processo de educação tecnológica.

Além de contribuir com o aprendizado de conteúdos científicos específicos, este tipo de atividade possui um potencial intertextual e interdisciplinar, unindo saberes de diferentes áreas como a ciência, história, geografia, química, física, português, artes e cultura.

 

2. OBJETIVOS

 

2.1 OBJETIVO GERAL

 

Este projeto tem como objetivo desenvolver atividades que coloquem em um mesmo plano as Ciências, a Arte e Tecnologia utilizando para isso softwares livres, REAs, celulares, câmeras e máquinas fotográficas para produção criativa de materiais feitos junto com os alunos.

 

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

– Desenvolver vídeos documentários, produzidos pelos alunos por meio de roteiros que os mesmo criarem, contextualizando os temas previamente apreciados.

 

– Desenvolver artigos para serem publicados em sites, blogs e divulgados em redes sociais.

 

– Estimular a criatividades, leitura, produção de textos, imagens, vídeos, músicas, visando  contribuir para uma melhor interpretação de conteúdos do currículo de Ciências pelos alunos.

 

– Produzir um festival com uma mostra da produção audiovisual criada pelos alunos.

 

3. JUSTIFICATIVA

 

O atual cenário sociocultural, considerando o ambiente educacional, está sendo redesenhado, impulsionado pelas novas tecnologias criadas principalmente depois da segunda revolução técnico científica, sabidamente a sociedade informática (SCHAFF,1993), instituindo assim novos modelos de interação e pela ruptura da recepção passiva do sujeito no processo de assimilação da informação. A evolução dos aparelhos computacionais, passando dos antigos mainframes até os atuais dispositivos móveis, podem  possibilitar uma nova configuração nas relações sociais e educacionais, resignificando também conceitos de tempo e espaço, onde a emergência das interações em redes digitais poderão promover uma verdadeira revolução na comunicação e na informação. Com isso, é fundamental uma análise crítica desse novo contexto que estamos vivendo, bem como desenvolver atividades que estejam conectadas com essa realidade.

Em minhas aulas como professor efetivo da Rede Pública Estadual de Ensino do Rio Grande do Norte, notei que as práticas que consideram recursos, frutos das transformações tecnológicas de nosso tempo, têm atraído os jovens a participar de forma mais efetiva e engajada nas atividades, pois a possibilidade de atuar como protagonista, ter voz para se expressar e criar dentro de um contexto relacionado às ciências, criam um interesse maior que em aulas apenas expositivas e conteudistas.

No período de três anos como professor efetivo, minha prática tem evidenciado o potencial dos REAs nas aulas de ciências. Além de possibilitar a abordagem dos conteúdos científicos, ela tem contribuído para uma maior participação dos alunos, uma vez que tem tornado as aulas mais dinâmicas.

Por isso, neste projeto, junto com livros didáticos, a pesquisa por REAs de qualidade que possam somar, serão de grande importância.  Minha prática tem evidenciado, também, que a utilização dos Recursos Educacionais Abertos contribuem  para a leitura, a interpretação de texto e para a alfabetização tecnológica, o que, por sua vez, contribuiria para o processo de empoderamento capacitando o aluno  à participar  em discussões que envolvam questões sociocientíficas do nosso tempo.

 

4. REFERENCIAL TEÓRICO

Há algum tempo é debatida a importância da colaboração e da interação humana, Piaget (1989) e Vygotsky (1998) afirmam que o conhecimento se enraiza através das relações que os indivíduos estabelecem com o meio ambiente ou com as outras pessoas com quem se relacionam.

Freire (1992) complementa, pois é possível a superação dos limites  impostos pelo conhecimento técnico-científico, podendo instituir novas estratégias para o campo educacional através de novas tecnologias digitais centradas na participação, colaboração e na possibilidade de transformação humana.

Nesse contexto, é de grande importância estabelecer que a teoria sócio-interacionista diz respeito ao contato entre sujeitos ou entre os sujeitos e o meio durante o processo de aprendizagem em ações que considerem a descrição-execução-reflexão no entendimento das ideias e resoluções de problemas (BELLONI e GOMES, 2008).

Belloni e Gomes (2008) enfatizam ainda que podem ser estabelecidas relações de interação entre os usuários e máquinas e estes passam a desenvolver um novo aprendizado, com isso, o sujeito em sua relação com o meio, desenvolve um novo tipo de conhecimento.

As TIC são, por excelência, ferramentas interativas para ver, fazer, representar e trocar. Elas são, pois, particularmente apropriadas ao acompanhamento da ação empírica e aos métodos das pedagogias ditas “ativas” , no sentido de C Freinet, ou “interativas” no sentido sócio cognitivo atual. Bem utilizadas em todo seu potencial cognitivo de manipulação, transformação, circulação e estocagem de conhecimentos, elas (as TIC) podem prestar grandes serviços aos aprendentes experientes em sua passagem  à conceitualização. (LINARD,2000, p.7, apud, BELLONI e GOMES, 2008)

 

Macluhan afirmava que as crianças poderiam aprender mais e com maior velocidade quando elas estivessem em contato com o mundo exterior a escola, as sós ou em grupo, elas pesquisariam por soluções dos problemas que lhes fossem apresentados (MACLUHAN, apud LIMA, 1971)

Para Wohlgemuth (2005), o vídeo, por ter linguagem visual com características próprias que podem ser importantes no ensino aprendizagem, com uma visão veloz e compreensiva, que podem ser simultaneamente analítica e sintética. Além disso, o vídeo é uma ferramenta adequada, econômica, flexível e versátil para essas necessidades. O autor ainda afirmou que “a pedagogia audiovisual é uma metodologia de informação, educação e capacitação popular estruturada a partir das características dalinguagem audiovisual e criada para o desenvolvimento sustentável no campo e na cidade” (WOHLGEMUTH, 2005, p.12). Neste sentido Belloni (2009), complementa ao sugerir que o professor deva tomar uma postura de coletividade, transitando por várias áreas do conhecimento humano e quebrando o isolamento da sala de aula convencional.

Bazzo (1998), faz um contraponto quando diz que a ciência e tecnologia têm proporcionado profundas transformações em nossa sociedade e que é comum considerar a Ciência e Tecnologia como motores do progresso, mas que estas não devem apenas serem vistas desta forma. Segundo o autor “Isso pode resultar perigo porque, nesta anestesia que o deslumbramento da modernidade tecnológica nos oferece, podemos nos esquecer que a ciência e tecnologia incorporam questões sociais, éticas e políticas” (BAZZO, 1998, p.142)

Para Morim (2003, p.16), “nas ciências como nas mídias, estamos afogados em informações”, onde o especialista da disciplina não é mais capaz de acompanhar todo conhecimento concernente a sua área. Diante disso, Morim propõe três desafios que levam ao problema essencial da organização do poder: o desafio cultural, o desafio sociológico e o desafio cívico.

Para Barbosa (1991), através de sua proposta triangular, que consiste em apreciar, contextualizar e executar, é possível através da leitura e interpretação de determinados temas, fazer uma releitura e assim produzir um novo fazer artístico. Essa proposta pode ser bastante pertinente na produção de material audiovisual, pois os alunos irão em um primeiro momento entrar em contato com determinado tema, a fase da apreciação, em uma segunda fase este tema será debatido e contextualizado com o seu cotidiano. Na última fase será a de criação, onde de fato, os materiais audiovisuais serão produzidos.

É importante ressaltar que a exibição de recursos audiovisual como filmes, documentários, slides e outros Objetos Educacionais, sejam estudados previamente e planejados pelo professor para que estes recursos não sejam uma substituição mas um complemento da aula. Para Rezende e Struchiner (2009), em um estudo sobre produção e uso de vídeos no Ensino de Ciências, pode-se proporcionar intertextualidade como justificativa pedagógica na experimentação de modelos alternativos, promovendo no aluno a relação dos saberes, valorizando sua fala, entendimento da linguagem e conhecimento científico.

 

5. METODOLOGIA

 

O desenvolvimento deste projeto será feito em cinco etapas. Na primeira etapa será realizada pesquisa bibliográfica, a segunda será a exposição, apreciação e contextualização de assuntos relacionados ao currículo da Disciplina de Ciências com temas ainda a serem definidos; a terceira etapa será a produção do material audiovisual; na quarta etapa será realizada uma mostra da produção realizada pelos participantes e por fim, na quinta etapa, consistirá de uma avaliação dos resultados obtidos.

 

5.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

Nesta fase inicial do projeto, será realizada uma pesquisa bibliográfica sobre os trabalhos que relacionam a produção audiovisual com o ensino de ciências. Além da bibliografia, serão pesquisados materiais  produzidos por professores e alunos do ensino fundamental que sejam relacionados com o Ensino de Ciências.

 

5.2 EXPOSIÇÃO, APRECIAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO

Está será a etapa de intervenção junto com os alunos da Disciplina de Ciências do 3º e 4º ciclo do Ensino Fundamental da Escola Estadual Moreira Brandão, localizada no município de Goianinha, Rio Grande do Norte.

Será feita a escolha de diversos recursos a serem pesquisados, como vídeos, imagens, artigos e objeto educacionais para serem apreciados, servirem de inspiração e facilitar o entendimento de conceitos científicos. Esses temas serão debatidos, contextualizados e servirão de base para a etapa posterior.

Nas exposições, os alunos serão incentivados a relacionar os assuntos com a realidade local do município.

 

5.3 PRODUÇÃO AUDIOVISUAL

Após as etapas anteriores, os alunos deverão definir os temas que querem trabalhar. Em grupos, através de debates, irão elaborar um roteiro e a partir desse instrumento deverão pesquisar e produzir e captar imagens, vídeos e sons para que o conteúdo possa ser organizado, editado e assim, produzir o material audiovisual.

5.4 MOSTRA DA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL

Finalizados os projetos dos alunos, será organizada uma mostra onde a comunidade será convidada para acompanhar e apreciar os trabalhos desenvolvidos pelos participantes.

Durante a mostra, os alunos serão incentivados a falar sobre o tema escolhido e o processo de produção do material audiovisual. Todos esses procedimentos serão registrados, armazenados e divulgados por redes colaborativas formadas por alunos, escola e comunidade e no site https://planetabiologia.com.

 

 

5.5 AVALIAÇÃO

 

Ao final de todo o processo será realizada uma avaliação com o objetivo de aferir a eficácia do projeto na apropriação dos conteúdos curriculares do Ensino de Ciências. Entrevistas e análise da produção audiovisual feita durante o período de execução do projeto também serão avaliados de acordo com metodologias ainda a serem definidas.

 

6. CRONOGRAMA

  

     DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES20152016
 1º semestre2º semestre1º semestre2º semestre
Levantamento e seleção do material bibliográfico
Leitura e interpretação do material selecionado
Planejamento da intervenção
Aplicação da intervenção
Análise dos resultados
Elaboração da dissertação

 

BIBLIOGRAFIA

 

BARBOSA, A. M. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 1991.

BAZZO, W. A. Ciência, Tecnologia e Sociedade: e o contexto da educação tecnológica. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1998

 

BELLONI, M. L. O que é mídia educação. Campinas: Autores Associados. 3 ed, 2009

 

BELLONI, M. L e GOMES, N. G. Infância, mídias e aprendizagem: autodidaxia e colaboração. Educ. Soc [online]. 2008, vol.29, n.104, pp. 717-746. ISSN

0101-7330.

CANDAU, V. M. (org.). Reinventar a Escola. Petrópolis/RJ: Vozes, 2000.

FREIRE, P. Pedagogia da Esperança – Um Reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

LIMA, L. O. Mutações em Educação Segundo Mc Luhan. 3ª edição, Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1971

MORIN, E. A Cabeça bem feita. Repensar a Reforma. Reformar o Pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

PIAGET, Jean. A Psicologia da Inteligência. Trad. Otávio Mendes Cajado. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 10 ed., 1989

 

Rezende, L. A. e Struchiner, M. Uma Proposta Pedagógica para Produção e Utilização de Materiais Audiovisuais no Ensino de Ciências.  2009,Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, vol.2, n.1, p.45-66, ISSN 1982-5153

SCHAFF, A. A sociedade informática: as consequências sociais da segunda revolução industrial. Tradução por Carlos Eduardo Jordão Machado e Luiz Arturo Obojes. 4ª Ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

 

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

WOHLGEMUTH, J. Vídeo Educativo: Uma Pedagogia Audiovisual. Distrito Federal: SENAC. 2005

 

 

[1] Podcast: segundo o Wikipédia é um arquivo digital em áudio, geralmente no formato MP3, pode ser usado para fazer programas de rádio online, debates entre tantos outros fins.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Podcast

[2] Recursos Educacionais Abertos (REAs): são recursos materiais multimídia voltadas para o ensino e a aprendizagem, que estejam sob domínio público ou licenciado de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros

Fonte: http://www.rea.net.br/site/faq/#a2

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