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O que são parasitoses

Você conseguiria definir o que são parasitoses? A comunidade biológica é um vasto e complicado sistema de partilha e distribuição de energia entre as diversas formas de vida. Um dos modos pelos quais os organismos conseguem sua porção de energia é o parasitismo. O parasitismo (do grego parasitos, que come ao lado de ou com) consiste na interação biológica em que um ser vivo (o parasita) vive à custa de alimento retirado do corpo de outro (o hospedeiro).

O biólogo Marston Bates reconhece o parasitismo como uma forma de partilha de energia, em uma interação que controla a densidade das populações, evitando que cresçam muito e esgotem recursos ambientais importantes, como espaço e alimento. As doenças parasitárias afetam frequentemente os indivíduos mais predispostos, que são os mais jovens, os mais velhos e os portadores de distúrbios nutricionais ou imunológicos.

Para além dessa visão ecológica e sob um enfoque antropocêntrico, o parasitismo tem um agravante: é um dos mais freqüentes problemas de saúde das populações humanas, principalmente das que vivem em condições sociais mais limitadas, razão pela qual é de interesse médico. Assim, as doenças parasitárias (como a malária) funcionam como indicadores da qualidade de vida humana. Lembramos que o antropocentrismo é um enfoque centrado no ser humano: trata-se de colocar o ser humano “no centro das atenções”. Embora muitas vezes utilizada, essa abordagem compromete o entendimento da biosfera como uma complexa rede de interações, na qual a espécie humana é apenas um dos componentes.

A transmissão e a persistência de uma parasitose em uma população humana resultam da interação entre o ecossistema e dois de seus componentes: o parasita e o hospedeiro. O parasita é o agente causador, cuja presença é indispensável para que a parasitose se instale. O hospedeiro é o organismo que, em certo momento, pode ser infectado pelo parasita. O ecossistema representa o conjunto de fatores em interação que permitem a ação do parasita no hospedeiro. Esses fatores incluem, entre outros, as condições de moradia e de saneamento e a presença de vetores (como os insetos transmissores de parasitas).

Algumas doenças parasitárias afetam grande número de pessoas. No Brasil, representam um dos mais sérios problemas de saúde pública. Algumas das mais significativas é a malária, a doença de Chagas, a leishmaniose, a teníase, a cisticercose, a esquistossomose, a ascaridíase e a ancilostomíase.

As doenças parasitárias habitualmente não são muito agressivas, uma vez que a seleção natural tende a eliminar os parasitas mais letais. Assim, um parasita adaptado é aquele que se beneficia da associação com o hospedeiro, mas cuja lesão não lhe provoca a morte no curto prazo. Algumas doenças, como a malária, são graves; outras, como o amarelão, não determinam a morte imediata do paciente. Porém, com o tempo, debilitam-no e pioram suas já insatisfatórias condições de vida.

Logo abaixo, alguns ciclos dos parasitas mais comuns

Imagem com o ciclo de vida da malária

O que são parasitoses

Ciclo de vida da doença de chagas

transmissor é o mosquito-prego

Ciclo de vida da esquistossomose

Platelmintos - Esquitossomose

Ciclo de vida da teníase

ciclo de vida da solitariaCiclo de vida da Ascaridíase

Ciclo da lombriga

Pessoas em situação de pobreza crônica têm maior probabilidade de adquirir doenças parasitárias, o que agrava seu estado nutricional. Anemia e desnutrição crônica são consequências da ação de parasitas espoliativos (que retiram nutrientes dos hospedeiros), como o ancilóstomo e o esquistossomo.

Assim, as parasitoses ilustram dramaticamente a catástrofe do ciclo pobreza-desnutrição-doença no Brasil e em outros países. O parasita rouba do indivíduo parte de seu escasso alimento, retirando-lhe as forças. Com reduzida capacidade para o trabalho, perpetuam-se a miséria, a fome e a doença.

Parasitoses: um enfoque evolutivo e ecológico

O desafio das políticas públicas

Várias doenças parasitárias estão relacionadas com más condições de habitação e saneamento ambientalPortanto, qualquer análise que se faça a respeito de parasitoses estará destinada ao conjunto das ações bem intencionadas e mal sucedidas, se não levar em conta a sinergia do circuito pobreza-desnutrição-doença. A efetiva melhoria das condições sociais, econômicas, educacionais e culturais da população é a meta a ser alcançada, para que essas doenças sejam definitivamente erradicadas.

De modo geral, as parasitoses afetam mais seriamente as populações mais pobres e os países menos desenvolvidos, e esse fato tem como causas principais:

  • Saneamento ambiental precário. De acordo com a Fundação Nacional de Saúde, saneamento ambiental é um conceito mais abrangente do que saneamento básico, englobando o abastecimento de água potável, a coleta, o tratamento e a disposição dos esgotos e dos resíduos sólidos e gasosos, os demais serviços de limpeza urbana, a drenagem urbana, o controle ambiental de vetores de doenças e de animais que perambulam pelas comunidades, a disciplina da ocupação e uso da terra e obras especializadas para proteção e melhoria das condições de vida.
  • Escassez de recursos. Os investimentos em saúde pública e em saneamento ambiental são escassos ou mal aplicados.
  • Alimentação deficiente. A desnutrição proteico-calórica torna as pessoas mais suscetíveis aos parasitas.
  • Atendimento médico precário. Populações de baixa renda geralmente têm menos acesso aos medicamentos e a postos de atendimento à saúde. Em muitos países, falta mais atenção à saúde da população, e, mesmo quando o número de médicos por habitante é suficiente, a distribuição pode ser irregular. É o caso do Brasil, onde tanto no campo como nas cidades há bolsões de pobreza desprovidos de atendimento médico adequado.
  • Pouca escolaridade. As campanhas de prevenção das doenças são mal compreendidas ou não encontram apoio entre a população.

PARASITAS E HOSPEDEIROS

Existem parasitas entre os vírus, as bactérias, os fungos e os protozoários, bem como na maioria dos filos animais. Encontram-se parasitas entre os platelmintos (tênias e esquistossomos), nematódeos (lombrigas e ancilóstomos), anelídeos (sanguessugas), artrópodes (piolhos e carrapatos) e cordados (lampreias).

As doenças provocadas por protozoários são conhecidas como protozoosesenquanto aquelas causadas por helmintos (platelmintos e nematódeos) são as helmintíases.

A relação hospedeiro-parasita geralmente tem alta especificidade, isto é, cada espécie de parasita normalmente age sobre um tipo específico de hospedeiro e, neste, ataca tecidos ou órgãos bem definidos.

O parasita apresenta estruturas e comportamentos que lhe permitem se instalar no hospedeiro, o qual, por sua vez, acaba por desenvolver mecanismos de defesa ou de tolerância ao parasita. A evolução do parasita e do hospedeiro ocorre por meio de influências mútuas, um servindo como agente de seleção natural do outro; esse processo chama-se coevolução.

Agente etiológico é o organismo (um vírus, uma bactéria, um protozoário etc.) que causa uma doença. O plasmódio e o tripanossomo, por exemplo, são agentes etiológicos da malária e da doença de Chagas, respectivamente.

Parasitas monoxênicos (ou monóxenos) são os que possuem apenas um hospedeiro em seu ciclo de vida. Os que possuem mais de um hospedeiro são parasitas heteroxênicos (ou heteróxenos).

Chama-se hospedeiro definitivo aquele em que o parasita se encontra em fase de maturidade ou em que ocorre a reprodução sexuada. Hospedeiro intermediário é o que apresenta o parasita em estágio larval ou aquele em que se reproduz assexuadamente. Atualmente, adotam-se de preferência as designações hospedeiro vertebrado hospedeiro invertebrado (se aplicável).

Quando ligados à superfície externa de hospedeiros, os parasitas são denominados ectoparasitas; os que vivem dentro de seus hospedeiros são chamados endoparasitas.

Danos causados por parasitas

Parasitas podem afetar diferentes tecidos e/ou órgãos do corpo do hospedeiro:

  • sangue – o plasmódio (agente etiológico da malária) destrói os glóbulos vermelhos, e o esquistossomo (causador da esquistossomose) alimenta-se do plasma sanguíneo;
  • intestino – a lombriga (nematódeo causador da ascaridíase) e as tênias (platelmintos que causam a teníase e a cisticercose) aproveitam parte do alimento ingerido pela pessoa parasitada; o ancilóstomo (nematódeo causador da ancilostomíase), por sua vez, fixa-se na parede do tubo digestório, alimentando-se de sangue retirado do hospedeiro;
  •    vasos linfáticos – as filarias (causadoras da filaríase) provocam a obstrução desses vasos;
  • tecidos diversos – os protozoários da espécie Toxoplasma gondii(causadores da toxoplasmose) agem indistintamente no sangue, nos músculos, no cérebro, nos pulmões etc.

 Penetração do parasita no hospedeiro

A entrada do parasita no corpo do hospedeiro ocorre geralmente através da pele, de mucosas ou por via oral. A pele humana dificulta o acesso de parasitas em razão do pH normalmente ácido, da camada superficial de células mortas e das secreções sebáceas, que a tornam uma barreira eficaz contra a penetração de agentes infecciosos. Por outro lado, a entrada por via oral, veiculada pela água, por alimentos ou pelas mãos, é bastante comum.

Mucosas são os tecidos de revestimento das cavidades naturais do corpo, como as das vias respiratórias (cavidades nasais, traqueia, brônquios etc.) e as do tubo digestório (boca, esôfago, estômago etc.).

O parasita tem penetração ativa quando penetra no corpo do hospedeiro por recursos próprios. As larvas dos helmintos causadores da esquistossomose e da ancilostomíase, por exemplo, penetram ativamente pela pele humana.

Na penetração passiva, o parasita é levado por outros organismos, como insetos que, ao perfurarem a pele do hospedeiro ao se alimentar, podem introduzir parasitas trazidos de outro indivíduo. O agente biológico que transporta o parasita até o hospedeiro é chamado vetor. O plasmódio, causador da malária, é veiculado pela picada do mosquito–prego, que é o vetor desse parasita. A ingestão de formas infectantes de parasitas, como ovos, cistos ou larvas presentes na água ou em alimentos, também constitui penetração passiva. Assim são transmitidas a teníase e a ascaridíase.

Transferência de parasitas

A continuidade do ciclo de vida de um parasita depende fundamentalmente de sua transferência de um hospedeiro para outro. A saída das formas infectantes do parasita — que podem ser ovos, cistos ou larvas — acontece, sobretudo:

  •  pelas fezes, como em parasitoses intestinais e em algumas parasitoses do fígado;
  • pelo sangue, quando sugado por insetos hematófagos (do grego: hemato,sangue, e phageín, comer), que também são hospedeiros e atuam como vetores, transferindo os parasitas para outro hospedeiro;
  • por tecidos diversos, como os musculares, que, ao servir de alimento para outros animais, transferem os parasitas neles alojados. Ao comer carne malpassada, por exemplo, uma pessoa pode adquirir teníase ou toxoplasmose.

 Resumo da Aula O que são parasitoses

  • definição de parasitas e hospedeiros
  • tipos de hospedeiros
  • relação entre saneamento ambiental e parasitoses
  • danos causados pelos parasitas
  • ciclo das principais parasitoses

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