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Malária – sintomas, tratamento, causa, prevenção e ciclo de vida

Há quem diga que a malária é a doença que mais influenciou o curso da história. Guerras foram perdidas ou se prolongaram por causa dela; a construção do canal do Panamá (entre 1880 e 1914) foi interrompida por longo período, e a empresa responsável pela obra foi à falência, em razão da alta incidência da doença entre os operários, provocando numerosas mortes.

Também conhecida como impaludismo, febre palustre ou maleita, malária tem seu nome derivado do italiano mala aria, maus ares. Acreditava-se que fosse provocada por “ares pestilentos”, hipótese rejeitada em 1881, quando se descobriram os protozoários parasitas do gênero Plasmodium. É uma doença infecciosa com manifestações agudas, em surtos. De todas as doenças parasitárias, talvez esta seja a mais antiga e a mais universalmente distribuída. Estima-se que, em todo o mundo, cerca de 300 milhões de pessoas sejam infectadas por ano.

Para complementar seus estudos veja o artigo Parasitismo, parasitoses, parasitas e hospedeiros.

Agente etiológico e vetor

PlasmodiumExistem dezenas de espécies de plasmódios (protozoários esporozoários do gênero Plasmodium) que utilizam como hospedeiro, durante o ciclo de vida, um mosquito e um vertebrado. Dessas espécies, quatro têm o ser humano como hospedeiro vertebrado e causam a malária. No Brasil, encontram-se as espécies P. vivax (responsável pela maioria dos casos), P. falciparum e P. malariae. A espécie P. ovale / não ocorre no país. Os plasmódios são parasitas heteroxênicos: o ser humano é seu hospedeiro vertebrado, e o mosquito, o hospedeiro invertebrado.

O vetor da malária é o mosquito-prego, inseto do gênero Anopheles. Somente as fêmeas, que são hematófagas, transmitem o parasita.

Anopheles

Ciclo de vida do parasita

Quando pica uma pessoa infectada, junto com o sangue a fêmea de Anopheles ingere gametócitos (formas geradoras de gametas). No tubo digestório do mosquito, os gametócitos diferenciam-se em gametas, que se unem, formando um zigoto. Por ser o local da reprodução sexuada do plasmódio, o mosquito é considerado seu hospedeiro definitivo. O zigoto invade a parede do tubo digestório do mosquito e converte-se em uma estrutura multinucleada denominada oocisto, que se divide em milhares de pequenas células alongadas, os esporozoítos. Estes migram para as glândulas salivares do mosquito e são por ele inoculados na corrente sanguínea de outra pessoa. Mosquitos que têm as glândulas salivares repletas de esporozoítos sugam menor volume sanguíneo do que os mosquitos não infectados; por isso, repetem várias vezes os ataques aos hospedeiros, o que aumenta a chance de transmissão.

transmissor é o mosquito-prego

Os esporozoítos, então, alcançam o fígado da pessoa, em cujas células realizam múltiplas divisões. Os produtos, chamados merozoítos, atingem a corrente sanguínea e invadem hemácias, nas quais se modificam e se replicamDessa forma, originam novos merozoítos e acabam por provocar lise celular, o que lhes permite invadir outras hemácias, em episódios cíclicos acompanhados por febre e calafrio, que se repetem a cada 36, 48 ou 72 horas. Alguns parasitas sofrem diferenciação celular dentro das hemácias, originando os gametócitos, que são transferidos para outro mosquito e nele iniciam a fase sexuada do ciclo.

A malária no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2009 foram confirmados no Brasil 300 mil casos de malária, sendo 99,9% deles na Amazônia Legal (que inclui os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Mato Grosso e Maranhão). Por essa razão, os estados amazônicos são considerados área endêmica de malária. A maioria dos casos (85%) ocorre em áreas rurais, mas há registro também em áreas urbanas.

Malária – sintomas, tratamento, causa, prevenção e ciclo de vida

Ainda que o número de casos da doença seja elevado, observa-se diminuição em relação a anos anteriores na Amazônia Legal, que registrou mais de 600 mil doentes em 1999. Esses resultados devem-se à expansão da rede de diagnóstico, à detecção da doença e ao tratamento oportuno dos pacientes e à inclusão de novos medicamentos no programa terapêutico. No Brasil, a letalidade da moléstia é baixa e não chega a 0,1 % do total de enfermos.

As áreas coloridas do mapa apresentam registros contínuos de casos da doença durante todo o ano. A incidência parasitária anual (IPA) indica o risco de contrair a doença e classifica as áreas de transmissão em alto, médio e baixo risco, de acordo com o número de casos por mil habitantes.

Manifestações

As manifestações típicas da malária são episódios de febre acompanhados por calafrios, dor de cabeça, fadiga, delírios e vômitos. Quando os parasitas rompem as hemácias, ocorre liberação de hemozoína, o “pigmento malárico . Essa substância é resultante da degradação da hemoglobina da qual os parasitas se alimentam. A liberação de hemozoína no plasma é responsável pelos característicos episódios de febre da malária.

Veja o artigo O que são parasitoses.

Profilaxia

Cerca de 35% da população do mundo vive em áreas malarígenas; por isso, o combate à doença é uma questão de importância mundial. Uma medida fundamental no controle da malária é o combate aos criadouros dos mosquitos, que requer obras de drenagem de águas, construção de aterros e controle biológico, utilizando-se plantas que tornem o meio inadequado para o desenvolvimento larval ou de peixes, como o guaru (Gambusia affinis), que se alimentam de larvas de Anopheles.

A partir de 1945, o emprego de inseticidas revolucionou as estratégias de prevenção da malária, principalmente pelo efeito residual do DDT, produto habitualmente usado no interior das casas, que continua agindo por um período de seis meses a um ano. Todavia, criou condições para o aumento progressivo da quantidade de mosquitos resistentes ao produto, selecionados em razão das aplicações contínuas.

Telas em portas e janelas dificultam a entrada dos mosquitos no ambiente doméstico, mas têm efeito limitado, uma vez que protegem as pessoas apenas quando estão em casa.

Como as pessoas parasitadas são a fonte do plasmódio, o tratamento delas diminui a disseminação dos parasitas. Infelizmente, porém, tem aumentado o número de casos de malária resistente aos medicamentos usuais.

Vacinas vêm sendo testadas, ainda sem efeito protetor significativo. Espera-se que, no futuro, representem uma importante medida no controle da malária.

No Brasil, a população de mosquitos vem sendo controlada pela aplicação de bioinseticida nos focos ou nos criadouros de larvas. Desenvolvido na década de 1990 pelo Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), o bioinseticida tem em sua composição apenas água e a bactéria Bacillus sphaericus, razão pela qual não causa danos ao ambiente nem traz riscos à saúde de pessoas (principalmente para quem o manipula) e animais domésticos.

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