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O que é biologia: o que a biologia estuda

Biologia - A ciência do estudo da vida

Nesse artigo, tentarei ir além da pergunta o que é biologia e pra isso também é necessário entender o que a biologia estuda. Resumidamente podemos dizer que biologia é uma ciência voltada para o estudo da vida.

As pesquisas desenvolvidas pelos biólogos têm como objeto de estudo os animais, as plantas e também outros grupos de seres vivos, como algas, fungos e bactérias.

O olhar de um biólogo pode estar direcionado para aspectos microscópicos, como a formação dos espermatozoides, por exemplo, ou para questões mais amplas, como a morfologia externa de uma planta ou o comportamento de um grupo de animais

A Biologia é composta de diferentes áreas de estudo, como a Botânica, a Zoologia, a Genética, a Biologia Molecular . Olhe a tabela abaixo.

 

ÁREA DA BIOLOGIA

OBJETO DE ESTUDO

Biologia Molecular

Organização e funcionamento molecular dos organismos.

Botânica

As plantas.

Citologia

A forma e a função das células.

Ecologia

Os componentes vivos e não vivos de um ambiente e as interações entre eles.

Embriologia

Os processos de formação de um novo ser vivo a partir da fecundação.

Evolução

As transformações hereditárias e adaptações das populações ao longo do tempo desde o surgimento da vida.

Fisiologia

O funcionamento do organismo.

Genética

A transmissão de características hereditárias.

Histologia

Os tecidos biológicos, formados por associações de células.

Zoologia

Os animais.

Conforme um pesquisador estuda em detalhe determinados temas, ele pode se especializar em uma ou mais áreas de estudo. No curso de Biologia, você vai poder conhecer algumas dessas áreas.

O que é Biologia como ciência

Embora os estudos sobre os seres vivos tenham sido conduzidos desde a Antiguidade por filósofos conhecidos, como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), a Biologia se constituiu como ciência há menos tempo do que outras disciplinas, como a Física, por exemplo.

A Ciência moderna só começou a se consolidar nos séculos XVI e XVII, quando os pensadores da época passaram a expor suas ideias em academias.

Era nesses espaços que aconteciam as discussões científicas e diferentes ideias eram debatidas e contestadas.

Essas discussões ajudaram a definir as regras para produzir conhecimento científico, o qual não podia ser construído simplesmente com base em ideias e crenças.

Para que o conhecimento obtivesse o estatuto de ciência, era necessário seguir um conjunto de procedimentos preestabelecidos e aplicáveis por qualquer pessoa.

A primeira etapa consistiria na observação de um fenômeno natural e na proposição de uma explicação, que deveria ser fundamentada nos fatos observados e envolveria a experimentação; ela teria, portanto, de ser posta à prova.

A observação dos fatos levaria à elaboração de hipóteses, que são explicações científicas teóricas ainda não comprovadas.

Cientista realizando experimento com uma barata
Cientista realizando experimento
com uma barata. Com o uso de eletrodos, é
possível investigar como funciona o sistema
nervoso desse animal.

A experimentação e o debate das hipóteses poderiam fortalecer ou derrubar as ideias iniciais. E, se muitas delas fossem derrubadas, outras se fortaleceriam e passariam a constituir teorias.

Com o tempo, novos fatos poderiam levar ao abandono das teorias aceitas em determinada época e novas hipóteses seriam propostas.

Um pouco de história da Biologia

Em 1703, foi apresentada na Academia Real da França, em Paris, uma explicação para a origem dos fósseis de animais marinhos que despertava muitas dúvidas.

Como poderiam ser restos de seres vivos marinhos, uma vez que eram encontrados no alto de montanhas, centenas de metros acima do nível do mar? De que maneira seres marinhos poderiam deixar marcas tão distantes do mar?

o que é biologia
Fóssil de peixe proveniente do monte
Bolca, Verona, Itália, onde há fósseis marinhos
850 metros acima do nível do mar.

O renomado matemático e astrônomo francês Philippe de La Hire (1640-1718) propôs uma explicação para o fato. Baseado na crença da época, La Hire propôs a existência de peixes e de outros animais, que viveriam nas águas do subsolo.

Ao subir, o vapor carregaria consigo minúsculos ovos, impossíveis de serem observados a olho nu. Em contato com o ar frio da montanha, o vapor condensaria e abasteceria as fontes de água.

Os ovos microscópicos fica- riam alojados em fendas de rochas, originando novos indivíduos. Com o passar do tempo, o peso das camadas superiores de rochas esmagaria os seres vivos, formando os fósseis de peixes, conchas e crustáceos.

Ciência moderna: novos métodos para produzir conhecimento

Com o trabalho de grandes pensadores, como Nicolau Copérnico (1473-1543), Galileu Galilei (1564-1642) e Isaac Newton (1642-1727), estruturou-se uma nova forma de produzir conhecimento, através de um método científico que não se restringia a organizar o pensamento na tradição da filosofia clássica.

Nicolau Copérnico
Nicolau Copérnico: um dos grandes
pesquisadores renascentistas que estruturaram uma forma
nova de produzir conhecimento. Nesta reprodução, o
cientista é retratado em meio a equipamentos científicos.

Filósofos da Grécia antiga, como Aristóteles, já haviam produzido tratados com explicações sobre os seres vivos. Muitos acontecimentos eram explicados de maneira mística.

Os registros fósseis de seres vivos, como de amonites, por exemplo, eram interpretados como desenhos estampados nas rochas por deuses

fósseis amonites
Misturados a
pedras, quatro
amonites
fossilizados de
diferentes tamanhos
(o amonite
maior tem
aproximadamente
20 cm de diâmetro).
Na Antiguidade, os
fósseis desses
moluscos eram
interpretados como
marcas que os
deuses deixavam
nas rochas.

.Os amonites fazem parte de um grupo de moluscos extintos que possuíam conchas similares à dos náutilos e argonautas, cujos representantes são encontrados atualmente em mares tropicais entre os oceanos Índico e Pacífico.

Os fósseis de amonites eram muito comuns em certas regiões da Itália, próximas da cidade de Verona, e eram chamados em latim de cornu Ammonis, que quer dizer “chifre de Amon”.

Os fósseis receberam esse nome numa referência a Amon, considerado o deus supremo de todos os deuses egípcios, que tinha o carneiro como um de seus animais sagrados e por isso era representado com chifres enrolados.

Acreditava-se que o deus Amon acompanhava seu povo em todos os lugares, inclusive nas batalhas, deixando marcas de sua presença invisível nas rochas.

Na mitologia grega foi identificado como Zeus, e, na mitologia romana, como Júpiter, um deus muito poderoso.

Com a Ciência moderna, ficou estabelecido que as marcas de fósseis como os amonites não poderiam ser vistas senão como marcas de seres vivos do passado.

Muitas evidências se acumularam, mostrando que uma rica fauna marinha tinha deixado marcas fósseis em diversos lugares, como nas altas montanhas da Europa. Na concepção dos filósofos antigos,

uma explicação fundamentada na lógica era considerada adequada. Porém, essa maneira de pensar deixou de ser aceita pelos novos pensadores, que seguiam os mestres do Renascimento.

Para eles, era necessário empregar um novo método para gerar conhecimento, que incluía a observação e a experimentação como etapas prévias à formulação de uma explicação lógica, de uma teoria científica.

Resumo

  • A Biologia é uma ciência que estuda a vida, em suas mais diversas manifestações.
  • As formas de produção do conhecimento se modificaram com o passar do tempo.
  • A construção da Ciência segue alguns procedimentos básicos. O objeto de estudo é observado e inicialmente são propostas hipóteses baseadas nos fatos que podem ser observados por diferentes pessoas.
  • As hipóteses são testadas por meio de experimentos e podem dar origem a teorias.
  • Na Grécia antiga, filósofos como Aristóteles produziam conhecimento sem compromisso com a observação e a experimentação.
  • As antigas crenças eram aceitas sem que se tivesse a possibilidade de testá-las.

Redação Planeta Biologia

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