Classe Mammalia – evolução, reprodução e fisiologia

Apesar de bastante diferentes, baleias, macacos, morcegos, ratos, onças-pintadas, cavalos e seres humanos, além de muitos outros animais, integram um mesmo grupo: o dos mamíferos.

O que esses animais têm em comum para que sejam classificados nesse grupo? Quais características eles compartilham e de que forma elas estão relacionadas com a grande capacidade de ocupação desse grupo em diferentes locais do planeta? Como os mamíferos se locomovem? Eles andam, nadam, voam, pulam? Como eles se reproduzem? Como se alimentam? Em quais ambientes da Terra podem ser encontrados? Essas e outras questões serão tratadas ao longo deste capítulo.

Características gerais da classe mammamila

Os mamíferos surgiram há cerca de 200 milhões de anos, aproximadamente na mesma época do aparecimento dos dinossauros. Os primeiros mamíferos eram animais pequenos – provavelmente do tamanho de camundongos – e há evidências de que exploravam o ambiente à noite, quando os répteis não estavam ativos. Alimentavam-se principalmente de insetos.

Com a extinção dos dinossauros, que eram os grandes predadores terrestres, vários ambientes tornaram-se disponíveis e a superfície do planeta pôde ser ocupada por outros seres vivos. Essa ocupação, no caso dos mamíferos, deveu-se a duas principais novidades evolutivas, que permitiram a eles se diversificarem por vários ambientes: as mamas e os pelos.

Todos os mamíferos apresentam algumas características em comum. Vamos estudar algumas delas.

Mamas

Os mamíferos (do latim mamma = mama; feros = portador) têm glândulas mamárias que produzem e fornecem o leite que alimenta os filhotes, no entanto, apenas nas fêmeas essas glândulas são desenvolvidas e funcionais. O leite é um alimento muito rico em nutrientes, como proteínas, gorduras e carboidratos. Amamentar os filhotes leva a um cuidado intenso com a prole, e este é um dos motivos que pode ser apontado como uma das diferenças evolutivas que garantiram o sucesso desse grupo. Cuidar da prole aumenta as chances de sobrevivência dos filhotes, principalmente dos recém-nascidos mesmo em períodos em que há poucos recursos no ambiente.

Mamas mammalia

Pelos

EpidermeA existência de pelos, ao menos em uma fase de sua vida, é outra característica exclusiva dos mamíferos.

Os pelos são estruturas em forma de fios formados por queratina. Eles funcionam como isolante térmico, diminuindo a perda de calor do organismo para o ambiente. Isso permite que a temperatura do corpo dos mamíferos permaneça praticamente constante.

Esses animais, assim como as aves, são endotérmicos, por isso muitas espécies de mamíferos habitam diferentes ambientes, inclusive os mais gelados.

Pulmões e diafragma

Todos os mamíferos respiram por meio de pulmões, que fazem parte do sistema respiratório desses animais.

Abaixo dos pulmões, separando a região do tórax da do abdômen, existe um músculo em forma de membrana chamado diafragma. Esse músculo participa dos movimentos respiratórios de entrada e saída do ar dos pulmões.

Classe Mammalia - evolução, reprodução e fisiologia

Metabolismo

A energia térmica gerada pelo corpo de aves e mamíferos é resultado de uma série de processos químicos conhecida por metabolismo. Metabolismo (do grego metabolé = mudança, troca) é o conjunto de todas as reações químicas que acontecem em um organismo. Essas reações estão ligadas ao armazenamento ou consumo de energia e são necessárias para garantir a sobrevivência do organismo. Por exemplo, a fotossíntese, que as plantas, as algas e as cianobactérias realizam, faz parte do metabolismo desses organismos.

Na pele da maioria dos mamíferos terrestres, além dos pelos, existem glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas.

As glândulas sebáceas produzem sebo, o responsável pela oleosidade natural da pele, que, além de lubrificar os pelos e a pele, auxilia a evitar a perda excessiva de água. As glândulas sudoríparas são responsáveis pela eliminação do suor, ajudando a regular a temperatura do corpo.

Em ambientes quentes, a temperatura do corpo tenderia a aumentar. Nesses casos, o suor, ao evaporar, absorve parte do calor do corpo, evitando aumento de temperatura.

A pelagem dos mamíferos, além de auxiliar na manutenção da temperatura de forma praticamente constante, pode ajudá-los a se camuflar no ambiente.

Alguns mamíferos aquáticos que não apresentam pelos quando adultos, como a baleia, conseguem manter a temperatura do corpo graças a uma grossa camada de gordura abaixo da pele, que funciona como isolante térmico.

Órgãos dos sentidos

Outro fator que ajudou na dispersão dos mamíferos em vários ambientes foi o fato de apresentarem órgãos dos sentidos aguçados. Isso se deve à existência de um sistema nervoso desenvolvido.

Entre as espécies de mamíferos, encontramos diferentes graus de desenvolvimento dos órgãos dos sentidos.

Os animais que ocupam na teia alimentar a posição de presas (como ratos ou zebras) precisam estar constantemente alertas a fim de se defenderem dos predadores. Esses animais geralmente têm olhos laterais e um campo maior de visão. Já aqueles que são caçadores geralmente apresentam olhos voltados para a frente, o que lhes dá uma melhor noção de profundidade, isto é, conseguem observar objetos com precisão a longas distâncias.

As orelhas permitem captar estímulos auditivos, proporcionando uma audição estereofônica, isto é, que consegue ouvir e compreender mais de um som ao mesmo tempo. A posição das orelhas, uma em cada lado da cabeça, ajuda os animais a perceber a localização de suas presas ou predadores, pois eles são capazes de identificar a direção do som.

Grupos dos Mammalia

Os mamíferos são classificados em três grupos, os monotremados. os marsupiais e os placentários. Vamos estudar cada um deles.

Monotremados

Os monotremados (do grego monos = um; trema = abertura), como o ornitorrinco e a equidna, são mamíferos que botam ovos. 0 nome do grupo vem do fato de as fezes, a urina e os ovos desses animais serem liberados por uma única abertura corporal — a cloaca (em latim, significa “esgoto”).

Ornitorrinco curiosidades

O tato (percepção pelo toque), a gustação (percepção pelo paladar) e o olfato (percepção pelos cheiros) também são sentidos importantes para os mamíferos. Em alguns grupos, esses sentidos são mais desenvolvidos que em outros. Por exemplo, em cachorros o olfato é muito mais apurado do que em seres humanos.

Marsupiais

Os marsupiais podem ser reconhecidos pela presença do marsúpio – uma bolsa no corpo das fêmeas, onde estão as glândulas mamárias. Ao nascer, os filhotes se instalam no marsúpio e lá permanecem, alimentando-se do leite da mãe, até completar seu desenvolvimento. Exemplos de marsupiais são o canguru, o coala, o gambá e a catita.

Placentários

Os placentários são os mamíferos cujos filhotes desenvolvem-se inteiramente no interior do corpo da fêmea, no órgão chamado útero. No início de seu desenvolvimento, forma-se a placenta, por onde os filhotes desses mamíferos realizam as trocas com a mãe: alimentando-se, respirando e excretando os resíduos do seu metabolismo. A conexão entre o embrião e a placenta se dá pelo cordão umbilical.

As orcas são mesmo baleias assassinas?

Orca, baleia assassina ou golfinhoPara os gregos, os grandes mamíferos marinhos, como as baleias e os golfinhos, eram verdadeiros monstros. O nome do grupo-a ordem dos cetáceos – vem da palavra grega ketos, que significa monstro marinho.

Os mamíferos marinhos conhecidos como baleias orcas não são, na verdade, baleias; elas pertencem à mesma família dos golfinhos (Delphinidae). Sua dieta é composta de cerca de 250 kg de carne por dia, entre tubarões, focas, lobos-marinhos, elefantes-marinhos, leões-marinhos, tartarugas, polvos e pássaros. O hábito predador rendeu a esses animais a denominação de baleias assassinas.

Entre 1979 e 1980, período em que não havia controle legal sobre a caça comercial às baleias, foram mortas mais de 900 orcas, colocando-as em risco de extinção. Atualmente, a situação está mais controlada por meio de acordos internacionais, limitando a caça desses animais e de outros cetáceos apenas para pesquisa científica. No entanto, países como Japão, Noruega e Islândia permitem a caça de certas espécies de baleias também para fins comerciais, sob o pretexto de fazer parte de suas tradições. Em março de 2014, o Tribunal Internacional de Justiça de Haia aceitou a queixa da Austrália, que acusou japoneses de praticar atividade comercial camuflada de pesquisa científica. O Japão prometeu cumprira determinação.

Tem uma matéria completa sobre esse assunto no artigo Orcas – Baleias Assassinas ou golfinhos?

Importância ecológia e econômica

A importância ecológica dos mamíferos, como a dos demais grupos de vertebrados, está diretamente relacionada com as cadeias alimentares aquáticas e terrestres. Entre os mamíferos, há desde animais herbívoros até grandes carnívoros, que ocupam o topo de cadeias alimentares, caso de orcas, onças e leões.

Muitos mamíferos desempenham papel de polinizadores de flores, como os morcegos, ou de dispersores de sementes, como o lobo-guará. Esse animal do Cerrado alimenta-se, além de pequenos vertebrados, da fruta-do-lobo, uma planta da família dos tomateiros. As pequenas sementes passam pelo sistema digestório do lobo sem sofrer alterações que impeçam sua germinação e são eliminadas com as fezes. Dessa maneira, ocorre a dispersão da planta.

Muitos mamíferos são criados pelo ser humano, como é o caso de bois, búfalos, cabras, ovelhas e coelhos, para a obtenção de produtos deles derivados.

No caso do gado, há diferentes aspectos a se considerar. No Brasil, atualmente o número de cabeças de gado é maior que o número de habitantes. Grande parte do gado criado no país segue para a exportação para mais de 140 países. Na Europa, devido à inexistência de grandes áreas que sirvam de pasto, o boi é criado confinado em pequenos espaços e alimentado com ração à base de vegetais e de partes de outros animais. Se por um lado essa pecuária é mais eficiente, por outro, o uso de partes animais pode levar a doenças, como a da vaca louca.

Primatas

A maioria do gado brasileiro é criada solta no pasto, A pressão pelo aumento da produtividade a baixo custo acaba criando uma necessidade de que essa prática seja cada vez mais extensiva. Isso significa, principalmente no Brasil, que mais áreas de matas nativas serão desmatadas.

Nos países que usam ração como principal fonte de alimento para o gado, são utilizados cereais cultivados em grandes áreas agrícolas que poderiam ser destinadas para a produção de outros alimentos.

Até 2011, 60% das áreas desmatadas na Amazônia, segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foram transformadas em pastos, Por esse motivo, a criação de gado no país não está associada obrigatoriamente ao problema da fome mundial, mas pode estar associada à alteração de hábitats.

Caso a pecuária no Brasil não passe do modelo expansionista atual para um em que a eficiência na produtividade das áreas de pastagens já existentes seja aumentada, há sério risco de perdas cada vez maiores de áreas naturais. Algumas práticas sustentáveis nesse sentido podem ser adotadas, como: o rastreamento de todo o gado da fazenda para maior controle, maiores cuidados em relação ao bem-estar animal, recuperação de áreas degradadas e apoio à qualificação dos funcionários. No entanto, isso ainda é muito raro entre a pecuária brasileira.

Há de se considerar ainda que, segundo a FAO, órgão das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, a pecuária mundial responderia por 18% das emissões de gases de efeito estufa, sendo assim a principal responsável pelas mudanças climáticas globais.

  • o tempo de cuidado dos pais com a prole, que é muito maior do que em qualquer outro grupo animal; durante esse período, os pais transmitem conhecimentos aos filhotes;
  • a visão binocular e tridimensional, fundamental para a sobrevivência sobre as árvores, por exemplo, pois, em meio aos galhos e folhas, luzes e sombras, é preciso enxergar bem em profundidade e reconhecer pontos muito próximos uns dos outros para se deslocar com segurança.

A classificação dos primatas ainda gera bastante controvérsia, até mesmo quando se tenta relacionar a espécie humana com esse grupo.

Uma classificação possível divide os primatas em 2 grupos:

Prossímios: são encontrados na África e no Sudeste Asiático. Animais pequenos e de hábitos noturnos, compreendem lêmures, lóris, gálagos, índris e társios.

Animais como lêmures, macacos e seres humanos fazem parte de um grupo entre os mamíferos chamado primatas.

Entre as principais características dos animais desse grupo, temos:

  • a oposição do polegar em relação aos outros dedos, o que permite segurar e manipular objetos com grande precisão, como se a mão fosse uma pinça;

Antropoides: apresentam a face achatada e olhos voltados à frente, tendo o sentido da visão muito desenvolvido. Nesse grupo, estão incluídos diversos macacos (saguis, macacos-prego, maca     cós-aranha, babuínos, mandris, colobos e gibões), gorilas, orangotangos, chimpanzés e a espécie humana.

Resumo da aula Classe Mammalia – evolução, reprodução e fisiologia

  • As principais características dos mamíferos e suas novidades evolutivas em relação aos demais grupos de vertebrados.
  • A relação entre as características dos mamíferos e sua grande capacidade de dispersão e ocupação dos mais diversos ambientes.
  • Exemplos da diversidade dos mamíferos, importância ecológica dos mamíferos.

Referências:
https://youtu.be/uMmX8p8xUYw

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