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Tecido conjuntivo propriamente dito: frouxo e denso

Veja os tipos e as funções dos tecidos conjuntivos propriamente dito

O tecido conjuntivo propriamente dito é de dois tipos: tecido conjuntivo denso e tecido conjuntivo frouxo. O tecido conjuntivo denso é ainda dividido em tecido denso regular e tecido denso irregular. Os tecidos conjuntivos frouxos e densos podem ser distinguidos com base em fibras e concentração de substância no meio extracelular.

O tecido conjuntivo frouxo tem uma maior quantidade de substâncias extracelulares em comparação com as fibras. O oposto representa o tecido conjuntivo denso. O tecido conjuntivo propriamente dito absorve o choque e liga os tecidos. Pode ser visto em tendões e ligamentos.

Tecido conjuntivo frouxo

Ao observar a imagem de um tecido conjuntivo propriamente dito, como o que forma a nossa derme, percebem-se grandes diferenças em relação ao tecido epitelial. Em algumas regiões do corpo, por exemplo, na derme, o tecido conjuntivo tem muito material intercelular e muitas fibras de aspecto desordenado e pouco compactas.

Esse é o tecido conjuntivo frouxo. Na figura abaixo, podemos perceber que existem fibras, formadas por proteínas estruturais, e os núcleos celulares estão bem evidentes. Observe como há fibras finas e outras mais grossas, de aspecto mais vigoroso.

tecido conjuntivo frouxo
Fotomicrografia ao microscópio óptico, com uso de corantes, mostrando o tecido conjuntivo frouxo. Os núcleos menores medem cerca de 3 μm

As fibras finas são formadas de elastina, uma proteína filamentar com cadeias que se deslocam entre si, mantendo diversas interligações flexíveis.

As fibras mais grossas são formadas por colágeno, uma proteína muito resistente. Há diversas formas de colágeno, e uma delas é formada por três cadeias de aminoácidos firmemente entrelaçadas. A formação de colágeno depende de enzimas e vitaminas, entre elas a vitamina C.

A carência dessa vitamina causa problemas sérios, uma vez que a produção de colágeno fica comprometida e, como ele faz parte da parede de vasos sanguíneos, sua ruptura provoca sangramentos importantes (escorbuto). O material intercelular, mostrado é denominado substância fundamental, é abundante.

Observe na figura anterior, a grande diversidade de formas de núcleos celulares. De fato, há muitas células diferentes no tecido conjuntivo frouxo. Algumas dessas células são produtoras de fibras e têm papel fundamental na cicatrização, pois produzem as substâncias da matriz fundamental. São os fibroblastos, células com grande núcleo.

tecido conjuntivo.
Os fibroblastos são as células mais abundantes do tecido conjuntivo. Eles produzem as substâncias da matriz fundamental, as fibras, e são muito importantes na cicatrização.

Além dos fibroblastos, o tecido conjuntivo frouxo é formado por outros tipos de célula, como os macrófagos, células de citoplasma grande, e inúmeros lisossomos, muito importantes na defesa do organismo.

Macrófago observado no microscópio
Imagem obtida ao microscópio eletrônico de transmissão, colorizada por computador, de um macrófago colocado em contato com bactérias patogênicas. A enorme quantidade de vesículas lisossômicas no citoplasma indica que houve fagocitose das bactérias, que estão sendo digeridas pelo macrófago. Tamanho aproximado do macrófago: 20 μm.

Os macrófagos se deslocam por movimento ameboide pelo tecido conjuntivo frouxo. Realizam fagocitose e pinocitose de partículas estranhas e desempenham importantes funções na resposta imune.

A consistência do tecido conjuntivo frouxo presente na derme confere propriedades importantes, como flexibilidade e elasticidade para a pele.

Além disso, a derme tem terminações nervosas que emitem sinais de dor e sensação térmica. O tecido adiposo também confere maciez à pele.

Representação esquemática de corte em pele humana
Representação esquemática de corte em pele humana mostra a presença de macrófagos na derme. Os elementos não foram representados em escala. Cores fantasia.

O tecido conjuntivo adiposo  é um outro tipo de tecido conjuntivo frouxo, constituído de adipócitos. Ao observar-se o tecido adiposo ao microscópio óptico não aparecem estruturas diferenciadas, uma vez que as células são preenchidas por lipídios.

Os adipócitos acumulam lipídios e geralmente são incapazes de se reproduzir. Quando um adulto ganha um pouco de peso, é sinal de que seus adipócitos acumularam mais gordura e aumentaram de volume; o contrário ocorre em caso de emagrecimento.

Tecido conjuntivo denso

Outra forma de tecido conjuntivo propriamente dito é o tecido conjuntivo denso, encontrado, por exemplo, em tendões e ligamentos. Ele recebe esse nome pois tem grande quantidade de fibras colágenas, orientadas de tal maneira que o conjunto apresenta grande resistência à tração.

Esquema de corte em membro inferior humano expondo o tendão calcâneo, que une músculos e ossos.
Esquema de corte em membro inferior humano expondo o tendão calcâneo, que une músculos e ossos.

Os tendões ligam os músculos aos ossos, e os ligamentos limitam movimentos de articulações, conectando um osso a outro, ou sustentam órgãos.

As fibras de colágeno dos tendões e ligamentos se dispõem em feixes paralelos, motivo pelo qual é chamado tecido conjuntivo denso modelado ou tendinoso.

As fibras de colágeno podem não ser ordenadas linearmente, mas formar uma rede que envolve, por exemplo, músculos. Esse outro tipo de tecido conjuntivo denso é chamado não modelado e confere grande resistência ao órgão.

Você provavelmente conhece o tecido conjuntivo denso não modelado, pois ele reveste músculos de animais como o boi. A carne de boi é, na realidade, o conjunto de músculos do animal. Quando presente na carne que consumimos em uma refeição, logo percebemos o tecido conjuntivo e sua resistência.

Os tecidos conjuntivos são formados por células que podem ter espaços entre si, preenchidos por diferentes tipos de substâncias.

Referências bibliográficas

DOS SANTOS TOLOSA, Ryan et al. Tecido conjuntivo propriamente dito, promovendo o ensino da Histologia a partir de jogo.

MOREIRA, Catarina. Tecido conjuntivo. Revista de Ciência Elementar, v. 3, n. 1, 2015.

Redação Planeta Biologia

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